Domando o Mamute: Porque Você Deveria Parar De Se Importar Com o Que as Outras Pessoas Pensam

Tempo de leitura: 29 minutos

Crédito: Unsplash
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Sou uma grande fã do Tim Urban, ele escreve alguns dos melhores artigos que leio por toda essa internet. Além de ótimos textos, ele ainda complementa seus posts com ilustrações maravilhosas de bonecos de pau, que são muito esclarecedoras, diga-se de passagem.
Quando li esse este artigo sobre por que devemos parar de nos importar com o que os outros pensam, senti uma vontade imensa de compartilhar com você, multipotencial. Esse texto me ajudou muito. E espero que te ajude também!
Não se importar com a opinião alheia é uma habilidade essencial para multipotenciais, que estão acostumados a estar sempre explicando suas escolhas e vontades. Por isso, você precisa conhecer esse mamute e domá-lo o mais rápido possível!
Artigo e Imagens por: Tim Urban, Wait But Why.
Tradução por: Renata Lapetina.

Parte 1: Conheça Seu Mamute

No primeiro dia da segunda série, cheguei na escola e notei que havia uma garota nova e muito bonita em minha classe – alguém que não estava lá nos dois anos anteriores. O nome dela era Alana e, dentro de uma hora, ela era tudo pra mim.
Quando você tem sete anos, não existe muito o que fazer ou esperar quando está apaixonado por alguém. Você nem tem certeza sobre o que quer tirar dessa situação. Tudo que existe é esse sentimento indefinido que é parte da sua vida, e é isso.
Mas, para mim, essa paixão se tornou relevante de repente, quando um dia durante o recreio, uma das meninas da classe começou a perguntar para cada um dos meninos, “Com quem você quer casar?” Quando ela me perguntou, nem pestanejei. “Alana.”
Desastre.
Eu ainda era novo nessa coisa de ser humano e não percebi que a única resposta socialmente aceitável era, “Ninguém.”
No segundo que eu respondi, a horrenda garota correu até os outros estudantes, contando para cada um, “Tim disse que quer casar com a Alana!” Cada pessoa para quem ela contou, cobriu a boca rindo descontroladamente. Eu estava terminado. Minha vida tinha acabado.
A notícia rapidamente chegou até a própria Alana, que ficou o mais longe possível de mim nos dias seguintes. Se ela soubesse o que era uma ordem de restrição, ela teria pedido uma.
Essa experiência terrível me ensinou uma lição de vida importantíssima – pode ser mortalmente perigoso ser você mesmo, e você deve exercitar extrema cautela socialmente, em todos os momentos.
Agora, isso soa como uma coisa que apenas uma criança traumatizada da segunda série pensaria, mas o estranho, e o tópico deste post, é que essa lição não está limitada a mim e meu desastre de infância – é uma paranoia típica da espécie humana. Nós compartilhamos de uma insanidade coletiva que permeia culturas humanas por todo o mundo:

Uma obsessão irracional e improdutiva com o que as pessoas pensam de nós.

A Evolução faz tudo por um motivo, e para entender a origem dessa insanidade em particular, vamos voltar por um minuto para 50.000 A.C., na Etiópia, onde seu bisavô²ººº vivia fazendo parte de uma pequena tribo.
Naquela época, ser parte de uma tribo era essencial para a sobrevivência. Uma tribo significava comida e proteção, em um tempo em que nenhum dos dois vinha fácil. Então, para o seu bisavô²ººº, quase nada no mundo era mais importante do que ser aceito pelos companheiros de tribo, especialmente aqueles em posições de autoridade. Encaixar-se com aqueles ao seu redor e agradar aquelas acima dele significava que ele podia ficar na tribo, e o seu maior pesadelo possível seria as pessoas da tribo começarem a cochichar sobre como ele era chato ou improdutivo ou estranho – porque se pessoas suficientes o desaprovassem, sua posição na tribo cairia, e se ficasse realmente ruim, ele seria expulso e largado para morrer.
Ele também sabia que se ele algum dia se humilhasse indo atrás de uma mulher da tribo e fosse rejeitado, ela contaria tudo para as outras – ele não teria desperdiçado sua chance apenas com aquela garota, mas talvez nunca mais tivesse uma companheira agora, porque toda garota que estivesse na sua vida saberia sobre sua tentativa idiota e fracassada. Ser aceito socialmente era tudo.
Por causa disso, humanos desenvolveram uma obsessão exagerada com o que os outros pensam deles – uma ânsia por aprovação social e admiração, e um medo paralisante de não ser gostado. Vamos chamar essa obsessão de Mamute da Sobrevivência Social de um humano. Ele é mais ou menos assim:

 

O Mamute da Sobrevivência Social
O Mamute da Sobrevivência Social
O Mamute da Sobrevivência Social do seu bisavô²ººº era fundamental para a habilidade dele de sobreviver e ser bem sucedido. Era simples – mantenha o mamute bem alimentado com aprovação social e preste bastante atenção em seus medos esmagadores de não aceitação, e você ficará bem.
E isso estava ótimo em 50.000 A.C. E 30.000 A.C. E 10.000 A.C. Mas algo engraçado aconteceu nos últimos 10.000 anos – a civilização mudou drasticamente. Mudança repentina e rápida é algo que a civilização tem a habilidade de sofrer, e a razão que isso pode ser estranho é que nossa biologia evolucionária não consegue se mover com a mesma rapidez. Então, enquanto na maioria da História, tanto nossa estrutura social como biológica evoluíram juntas e se ajustaram em ritmo de tartaruga, a civilização recentemente desenvolveu a capacidade de rapidez de uma lebre, enquanto nossa biologia continuou “tartarugando” por aí.
Nossos corpos e mentes foram construídos para viver em uma tribo em 50.000 A.C., o que deixa os seres humanos modernos com várias características desagradáveis, uma das quais é a fixação com a sobrevivência social “tribal” em um mundo onde sobrevivência social não é mais um conceito real. Estamos todos em 2014, acompanhados de um mamute grande, faminto e facilmente “apavorável” que ainda pensa que é 50.000 A.C.
Por que mais você experimentaria quatro combinações e ainda não teria certeza do que vestir antes de sair?

 

Muito conservador.
Muito conservador.
Muito vulgar.
Muito vulgar.
Apenas não.
Apenas não.
Menina: Ah, eu meio que gosto dessa. Mamute: Não.
Menina: Ah, eu meio que gosto dessa.
Mamute: Não.
Os pesadelos do mamute sobre rejeição romântica fez com que seus ancestrais fossem cautelosos e sábios, mas no mundo de hoje, ele só te faz um covarde:

 

Lá está ela...
Lá está ela…
Cara: Talvez eu devesse ir falar com ela... Mamute: Pior ideia que eu já ouvi. Você não é legal o bastante.
Homem: Talvez eu devesse ir falar com ela…
Mamute: Pior ideia que eu já ouvi. Você não é legal o bastante.
Nah, eu vou ficar aqui mesmo.
Nah, eu vou ficar aqui mesmo.
Imagine se agora mesmo você estivesse em pé como um perdedor e todo mundo estaria te olhando e pensando o quanto você deve ser um perdedor por estar em pé aqui sozinho.
Imagine se agora mesmo você estivesse em pé como um perdedor e todo mundo estaria te olhando e pensando o quanto você deve ser um perdedor por estar em pé aqui sozinho.

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E nem deixe o mamute começar a pensar no terror de correr riscos artísticos:
Amigo: Ei, a Emily ainda não cantou. É a vez dela cantar! Mamute: ai meu deus ai meu deus ai meu deus ai meu deus
Amigo: Ei, a Emily ainda não cantou. É a vez dela cantar!
Mamute: ai meu deus ai meu deus ai meu deus ai meu deus
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Mamute: Ok, isso é ZUADO. Ai meu deus ninguém está falando. Ok, aja como se estivesse bêbada e seja engraçada – engraçada é a chave. Agora desafine um pouco de propósito pra deixar claro que não está tentando. Ok, agora faz uma gracinha em que você fecha os olhos e põe a cabeça pra trás enquanto canta. Boa, agora balance pra frente e pra trás e sorria para mostrar que não está levando isso a sério.
O furacão de medo da desaprovação social do mamute tem um papel importante na maioria das partes da vida das pessoas. É ele que faz com que você se sinta estranho por ir sozinho no restaurante ou no cinema; é ele que faz com que pais se importam um pouco demais com a faculdade que os filhos vão fazer; é ele que faz com que você deixe passar uma carreira que iria amar para seguir uma que não te interessa mas é mais lucrativa; é ele que faz com que você case antes de estar pronto e com uma pessoa que não ama.
Manter seu super inseguro Mamute da Sobrevivência Social calmo e salvo dá muito trabalho, e essa é apenas a metade das suas responsabilidades. O mamute também precisa ser regularmente e fortemente alimentado – com elogios, aprovação e o sentimento de estar no lado certo de qualquer dicotomia social ou moral.
Por que mais você se importaria tanto em manter sua imagem no Facebook?
Ou se vangloriar quando sai com amigos, mesmo que sempre se arrependa depois?

 

Estou percebendo que sou um cara muito atraente.
Estou percebendo que sou um cara muito atraente.

A sociedade se desenvolveu para acomodar esse frenesi alimentar do mamute, inventando coisas como honrarias e títulos e o conceito de prestígio para manter nossos mamutes satisfeitos – e frequentemente para incentivar as pessoas a terem trabalhos sem sentido e viver vidas de insatisfação que, de outra forma, não considerariam viver.

Acima de tudo, os mamutes querem se encaixar em padrões – é isso que as pessoas da tribo sempre precisaram fazer, então é assim que eles são programados. Mamutes olham para a sociedade para descobrir o que eles devem fazer, e quando isso fica claro, eles estão dentro na hora. Só dê uma olhada em qualquer par de fotos de fraternidades tiradas com dez anos de distância:

 

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Ou todas aquelas subculturas onde todo mundo tem um dos mesmos três diplomas socialmente aceitáveis:

 

Filho: Eu finalmente consegui, mãe! Sou um doutor agora! Eu sabia que te deixaria orgulhosa! Mãe: Esse é o dia mais feliz da minha vida.
Filho: Eu finalmente consegui, mãe! Sou um doutor agora! Eu sabia que te deixaria orgulhosa!
Mãe: Esse é o dia mais feliz da minha vida.

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Às vezes, o foco do mamute não é na sociedade em geral e sim em ganhar a aprovação do Mestre de Marionetes em sua vida. Um Mestre de Marionetes é uma pessoa ou grupo de pessoas cujas opiniões importam tanto para você que estão essencialmente arruinando sua vida. Ele é frequentemente um pai, ou talvez seu companheiro ou namorado, ou às vezes um membro alpha do seu grupo de amigos. O Mestre de Marionetes pode ser aquela pessoa que você admira mas que não conhece muito bem – talvez até uma celebridade que você nunca conheceu – ou um grupo de pessoas que você respeita muito.
Nós ansiamos pela aprovação do Mestre de Marionetes mais do que de qualquer pessoa, e estamos tão aterrorizados com o pensamento de desagradá-lo ou sentir que ele não nos aceita ou nos sentirmos ridículos que fazemos qualquer coisa para evitar isso. Quando chegamos nesse estágio tóxico da nossa relação com o Mestre de Marionetes, a presença daquela pessoa afeta todo nosso processo de tomada de decisão e puxa as cordinhas das nossas opiniões e moral.

 

Amiga: Eu sempre achei que pessoas que fazem esse tipo de coisa são perdedores. Mamute: Espere, tenho uma ideia divertida - vamos pensar sobre esse comentário todos os dias, pelos próximos 37 anos.
Amiga: Eu sempre achei que pessoas que fazem esse tipo de coisa são perdedores.
Mamute: Espere, tenho uma ideia divertida – vamos pensar sobre esse comentário todos os dias, pelos próximos 37 anos.
Com tantos pensamentos e energia dedicados às necessidades do mamute, você acaba negligenciando uma outra pessoa no seu cérebro, aquela bem no centro – sua Voz Autêntica.

 

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Sua Voz Autêntica, que está em algum lugar lá dentro, sabe tudo sobre você. Ao contrário da simplicidade preto no branco do Mamute da Sobrevivência Social, sua Voz Autêntica é complexa, às vezes nebulosa, está constantemente evoluindo e é destemida. Sua VA tem seu próprio código moral, formado pela experiência, reflexão e sua opinião própria em relação à compaixão e integridade. Ela sabe como você se sente lá no fundo sobre coisas como dinheiro e família e casamento, e ela sabe qual o tipo de pessoas, tópicos e interesses, e os tipos de atividades que você realmente gosta, e aqueles que não gosta. Sua VA sabe que não sabe como sua vida vai ser ou deve ser, mas ela tende a ter uma forte intuição sobre o melhor passo a ser dado em seguida.
E enquanto o mamute olha apenas para o mundo de fora no seu processo de tomada de decisões, sua Voz Autêntica usa o mundo para aprender e reunir informações, mas quando é hora de decidir, ela tem todas as ferramentas que precisa bem ali no âmago do seu cérebro.
Sua VA é alguém que o mamute tende a ignorar totalmente. Uma opinião forte de uma pessoa confiante no mundo de fora? O mamute é todo ouvidos. Mas um apelo apaixonado da sua VA é amplamente deixado de lado até que outra pessoa o valide.
E como nossos cérebros de 50.000 anos foram feitos para dar ao mamute toda a credibilidade, sua Voz Autêntica começa a se sentir irrelevante. O que faz com que ela encolha e enfraqueça e perca motivação.

 

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Eventualmente, uma pessoa dominada pelo seu mamute pode perder totalmente o contato com sua VA.

Nos tempos tribais, VAs costumavam passar suas vidas em uma obscuridade tranquila, e isso era considerado normal. A vida era simples, e conformidade era o objetivo – e o mamute lidava com a conformidade muito bem.

Mas no mundo de hoje, grande e complexo, de culturas variadas e personalidades e oportunidades e opções, perder contato com sua VA é perigoso. Quando você não sabe quem é, o único mecanismo de decisão que te sobra são as emoções brutas e antiquadas do seu mamute. Quando se trata das questões mais pessoais, ao invés de buscar profundamente no centro do nevoeiro do que você realmente acredita para encontrar clareza, você vai procurar as respostas nos outros. Quem você é se torna a mistura das opiniões mais fortes à sua volta.

Perder contato com sua VA também te torna frágil, porque quando sua identidade é construída em cima da aprovação dos outros, ser criticado ou rejeitado realmente machuca. Um término ruim é difícil para qualquer um, mas dói ainda mais profundamente em uma pessoa guiada pelo mamute do que em uma pessoa com uma VA forte. Uma VA forte cria um centro estável, e depois de um término, esse centro continua firme – mas já que a aceitação dos outros é tudo que a pessoa guiada pelo mamute tem, ser deixado por uma pessoa que te conhece bem é uma experiência muito mais destruidora.

Da mesma forma, sabe aquelas pessoas que reagem à críticas com um golpe baixo sujo? Essas pessoas tendem a ser rigorosamente guiadas por seu mamute, e as críticas os deixam tão bravos porque mamutes não sabem lidar com elas.

 

E então o polonês disse "Oh, merda!" e caiu numa grande pilha de merda.
E então o polonês disse “Oh, merda!” e caiu numa grande pilha de merda.
Essa foi uma piada idiota. Você sempre conta piadas idiotas.
Essa foi uma piada idiota. Você sempre conta piadas idiotas.
Ah é? Bom, seu pai está morto.
Ah é? Bom, seu pai está morto.

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À esta altura, a missão deveria ser clara – nós precisamos descobrir uma maneira de passar por cima da programação do nosso cérebro e domar o mamute. Essa é a única forma de recuperar nossas vidas.

 

Parte 2: Domando o Mamute

Algumas pessoas nascem com um mamute razoavelmente domado ou são criadas por pais que ajudam a manter o mamute sob controle. Outros morrem sem nunca terem controlado seu mamute, passando toda sua vida sob seus caprichos. A maioria de nós está entre esses dois extremos – nós controlamos nosso mamute em algumas áreas das nossas vidas enquanto em outras, ele nos causa muitos danos. Ser dominado pelo seu mamute não te faz uma pessoa ruim ou fraca – só significa que você ainda não descobriu como controlá-lo. Você pode nem estar sabendo que você tem um mamute ou o quanto sua Voz Autêntica pode estar sendo silenciada.
Qualquer que seja a situação, existem três passos para deixar seu mamute sob seu controle:

Passo 1: Examine A Si Mesmo

O primeiro passo para melhorar as coisas é uma avaliação clara e honesta do que está acontecendo na sua cabeça, e há três partes nisso:

1) Conheça sua Voz Autêntica

 

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Isso não parece ser tão difícil, mas é. É preciso uma reflexão grande para peneirar as teias dos pensamentos das outras pessoas e as opiniões e descobrir quem é seu verdadeiro eu. Você passa tempo com muitas pessoas – qual delas você gosta mais? Como você usa seu tempo livre, e você realmente aprecia todos esses momentos? Tem alguma coisa em que você gasta dinheiro regularmente e que não se sente confortável? Qual sua intuição e sentimentos reais em relação ao seu trabalho e relacionamento? Qual sua opinião política verdadeira? Você realmente se importa? Você finge se importar com coisas que não se importa só para ter uma opinião? Você tem alguma opinião secreta sobre uma questão política ou moral que nunca fala porque as pessoas que conhece vão ficar ofendidas?
Existem algumas frases clichês para esse processo – “busca espiritual” ou “descobrir a si mesmo” – mas é isso mesmo que precisa acontecer. Talvez você possa refletir sobre isso de qualquer cadeira que esteja sentado agora mesmo ou enquanto vive sua vida normalmente – ou talvez você precise ir para um lugar distante, sozinho, e sair da sua vida para poder examiná-la efetivamente. De qualquer jeito, você precisa descobrir o que importa realmente para você e começar a sentir orgulho de quem sua Voz Autêntica é.

2) Descubra onde o mamute está se escondendo

 

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Na maioria do tempo em que o mamute está controlando uma pessoa, ela não está ciente disso. Mas você não pode progredir se não souber claramente em quais áreas estão seus maiores problemas.
O caminho mais óbvio para encontrar o mamute é descobrir onde está seu medo – onde você é mais suscetível à vergonha e ao constrangimento? Quais partes da sua vida trazem um terrível sentimento ruim quando você pensa sobre elas? Onde a probabilidade de fracassar parece um pesadelo? O que você é tímido demais para tentar fazer publicamente mesmo sabendo que é bom nisso? Se você fosse dar um conselho para si mesmo, quais partes da sua vida claramente precisariam de uma mudança que você está evitando nesse momento?
O segundo lugar onde o mamute se esconde é nos sentimentos bons demais que você tem quando se sente aceito ou em um pedestal acima de outras pessoas. Você está sempre buscando agradar no trabalho ou no seu relacionamento? Você fica aterrorizado em desapontar seus pais e escolhe deixá-los orgulhosos ao invés de agradar a si mesmo? Você fica muito empolgado ao ser associado com coisas de prestígio ou liga muito para status? Você se vangloria mais do que deveria?
A terceira área em que o mamute está presente é aquela em que você não se sente confortável tomando decisões sem “permissão” ou aprovação de outros. Você tem opiniões que saem diretamente da boca de outra pessoa, e fica confortável em tê-las porque sabe que aquela pessoa também pensa assim? Quando você apresenta sua nova namorada ou namorado para seus amigos ou família pela primeira vez, a reação deles pode fundamentalmente mudar seus sentimentos em relação à ela ou ele? Existe um Mestre de Marionetes na sua vida? Se sim, quem e por quê?

3) Decida para onde o mamute precisa ser expulso

 

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Não é realista expulsar o mamute totalmente da sua cabeça – você é um humano e humanos têm mamutes em suas cabeças, ponto. O que todos precisamos fazer é nos certificar de que algumas áreas sagradas das nossas vidas precisam estar nas mãos da VA e livres da influência do mamute. Há algumas áreas óbvias que precisam fazer parte do domínio da VA como a escolha do seu parceiro de vida, seu caminho profissional e a forma como cria seus filhos. Outras são pessoais – a questão é, “Em quais partes da sua vida você precisa ser completamente honesto consigo mesmo?”

Passo 2: Tome Coragem Internalizando Que o Mamute Tem QI Baixo

Os mamutes reais eram tão pouco impressionantes que foram extintos, e Mamutes de Sobrevivência Social não são nem um pouco melhores. Apesar do fato de nos assombrarem tanto, nossos mamutes são criaturas burras e primitivas que não entendem nada sobre o mundo moderno. Entender isso profundamente – e internalizar essa informação – é um passo chave para domar o seu. Há duas razões principais para que você não leve seu mamute a sério:

1) Os medos do mamute são totalmente irracionais.

Cinco coisas sobre as quais o Mamute está errado:

Todo mundo está falando sobre mim e minha vida e imagina o que todos vão falar se eu fizer essa coisa arriscada ou estranha.

Aqui está como o mamute pensa que as coisas são:

 

Homem: Saiam da frente, eu não consigo vê-lo! VOCÊ: .
Homem: Saiam da frente, eu não consigo vê-lo!
VOCÊ: .
Aqui está como as coisas realmente são:
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Você: .

Ninguém liga muito para o que você está fazendo. As pessoas são altamente centradas em si mesmas.

Se eu tentar muito, eu posso agradar todo mundo.

Sim, talvez em uma tribo de 40 pessoas com uma cultura única. Mas no mundo de hoje, não importa quem você seja, um monte de pessoas vai gostar de você e um monte de outras pessoas não vai. Ser aprovado por um tipo de pessoa significa desagradar outro. Então, ficar obcecado em se encaixar em todos os grupos é ilógico, especialmente se aquele grupo não tem nada a ver com quem você é. Você terá todo esse trabalho, e enquanto isso, suas pessoas favoritas de verdade estarão sendo amigos em algum outro lugar.

Ser desaprovado ou desprezado ou falarem mal de mim tem consequências reais na minha vida.

Qualquer um que desaprove quem você é ou o que está fazendo nem está no mesmo lugar que você em 99,7% do tempo. É um erro clássico do mamute forjar uma visão de consequências sociais futuras muito piores do que acaba acontecendo no final – que normalmente é nada.

Pessoas que julgam muito importam.

Eis como as pessoas que julgam muito funcionam: Elas são altamente controladas por seus mamutes e se tornam grandes amigas ou parceiras de outras pessoas que julgam muito e também são altamente controladas por seus mamutes. Uma das coisas principais que elas fazem juntas é falar besteiras sobre quem quer que não esteja com elas – talvez elas sintam alguma inveja, e a desaprovação as ajuda a virar a página e se sentir menos invejosas, ou talvez elas não sejam invejosas e usam alguém como forma de se sentir bem com a desgraça dessa pessoa – mas qualquer que seja o sentimento oculto, o julgamento serve para alimentar seu mamute faminto.

 

Homem: Foi uma noite longa. É tão chato sair com eles.
Homem: Foi uma noite longa. É tão chato sair com eles.
Mulher: Totalmente. E o jeito que ele vira os olhos por tudo que ela fala. Ugh.
Mulher: Totalmente. E o jeito que ele vira os olhos por tudo que ela fala. Ugh.
Homem: Estou tão feliz por não sermos eles.
Homem: Estou tão feliz por não sermos eles.
Quando as pessoas fofocam e falam mal de alguém, elas estabelecem uma divisão de categorias na qual elas estão sempre do lado certo. Elas fazem isso para se colocar em um pedestal, pedestal esse que é um banquete para seus mamutes.
Ser o material que as pessoas que julgam usam para se sentir bem com elas mesmas é realmente irritante – mas não tem consequências reais na sua vida e a situação é claramente um problema da pessoa julgadora e seu mamute e não seu. Se você se pegar tomando decisões parcialmente baseadas em evitar que uma pessoa julgadora fale mal de você, pense melhor sobre o que realmente está acontecendo e apenas pare.
Eu sou uma pessoa ruim se desapontar ou ofender as pessoas que me amam e investiram tanto em mim.
Não. Você não é uma pessoa ruim por ser quem quer que seja sua Voz Autêntica em sua única vida. Essa é uma daquelas coisas simples – se elas te amam realmente e sem egoísmo, elas vão te entender e aceitar tudo, uma vez que vejam que você está feliz. Se você está feliz e mesmo assim elas não superam, eis o que está acontecendo: os sentimentos fortes delas sobre quem você deveria ser ou o que deveria fazer são coisa do mamute, e sua principal motivação é se preocupar sobre o que vai “parecer” para as outras pessoas que as conhecem. Elas estão deixando que seus mamutes sobreponham o amor que sentem por você, e devem ser ignoradas de forma inflexível.
Duas outras razões por que a medrosa obsessão por aprovação social do mamute não faz sentido nenhum:
A) Você vive aqui:

 

Terra. VAZIO ETERNO.
Terra.
VAZIO ETERNO.
Então quem liga pra qualquer coisa?

B) Você e todo mundo que você conhece vai morrer. Meio que logo.

 

Quantidade de tempo em que você e todos que podem te julgar ficam vivos. UMA ETERNIDADE DE FUTURO.
Quantidade de tempo em que você e todos que podem te julgar ficam vivos.
UMA ETERNIDADE DE FUTURO.

Pois é…

Os medos do mamute serem irracionais é uma das razões pelas quais ele tem um QI baixo. Aqui está a segunda:

2) Os esforços do mamute são contraproducentes.

A ironia da coisa toda é que o pesado e obsessivo mamute nem é bom no seu trabalho.  Seus métodos para conseguir aprovação podem ter sido efetivos em tempos mais simples, mas hoje, eles são transparentes e desagradáveis. O mundo moderno é o mundo das VAs, e se o mamute quer ser bem sucedido socialmente, ele deveria fazer o que mais o assusta – deixar a VA tomar conta.

Aqui está o porquê:

VAs são interessantes. Mamutes são chatos. Toda VA é única e complexa, o que é interessante por si só. Mamutes são todos iguais – eles copiam e se conformam, e suas motivações não são baseadas em nada autêntico ou real, só em fazer o que eles acham que deveriam fazer. Isso é totalmente chato.

VAs lideram. Mamutes obedecem. Liderança é natural para a maioria das VAs porque seus pensamentos e opiniões são originais, o que dá a elas um ângulo único. E se elas são espertas e inovadoras o suficiente, podem mudar as coisas no mundo e inventar e romper o status quo. Se você der um pincel e uma tela branca para alguém, pode ser que ele não pinte algo bom – mas vai mudar a tela de um jeito ou de outro. Mamutes, por outro lado, são seguidores – por definição.  É o que eles foram feitos para fazer – se misturar e seguir o líder. A última coisa que o mamute vai fazer é mudar o status quo porque ele está tentando com todas as suas forças ser o status quo. Quando você dá um pincel e uma tela branca para alguém, mas a tinta é da cor exata da tela, ele pode pintar o quanto quiser, mas não vai mudar nada.

As pessoas gravitam em torno das VAs, não dos mamutes. A única vez que uma pessoa enlouquecida pelo mamute é atraente em um primeiro encontro é quando está se encontrando com uma outra pessoa enlouquecida pelo mamute. Pessoas com uma VA fortalecida enxergam através da pessoa controlada pelo mamute e não são atraídas por ela. Um tempo atrás, uma amiga minha estava saindo com um cara fantástico no papel, mas terminou tudo porque não conseguia se apaixonar por ele. Ela tentou entender o porquê, dizendo que ele era estranho ou não era especial o bastante – ele parecia um cara “como qualquer outro”. Em outras palavras, ele estava sendo muito controlado por um mamute.

Isso também acontece com amigos ou colegas, pessoas dominadas por suas VAs são mais respeitadas e magnéticas – não porque existe necessariamente algo de extraordinário nelas, mas porque as pessoas respeitam alguém com a força de caráter para domar seu mamute.

Passo 3: Comece Sendo Você Mesmo

Esse post era só diversão até “comece a ser você mesmo” entrar na história. Até agora, essa tem sido uma reflexão interessante sobre por que os humanos se importam tanto com o que os outros pensam, por que isso é ruim, como é um problema na sua vida e por que não há uma boa razão para que você continue a se autoflagelar por isso. Mas realmente fazer alguma coisa depois de terminar de ler esse artigo é totalmente diferente.

 

DESAFIO.
DESAFIO.
Mas coragem em relação a quê, exatamente? Como discutimos, não existe um perigo real envolvido em ser você mesmo – mais do que qualquer coisa, só leva uma epifania do tipo O Emperador Está Nu, que é tão simples quanto:

Quase nada do que você tem medo socialmente é realmente amedrontador.

Absorver esse pensamento vai diminuir o medo que você sente e, sem medo, o mamute perde um pouco do seu poder.

 

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Com seu mamute enfraquecido, é possível começar a defender quem você realmente é e até a fazer algumas mudanças ousadas – e quando você vê essas mudanças darem certo, tendo poucas consequências negativas e sem arrependimentos, isso reforça a epifania e uma VA empoderada se torna um hábito. Agora, seu mamute perdeu a habilidade de te influenciar, e está domado.

 

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O mamute ainda está em você – ele sempre vai estar com você – mas vai ser mais fácil ignorá-lo ou anulá-lo quando ele se manifesta ou se comporta mal, porque sua VA é o cão alpha agora. Você pode começar a sentir prazer com o sentimento de ser visto como estranho ou inapropriado ou confuso pelas outras pessoas, e a sociedade se torna seu playground ou tela em branco, não algo pelo qual você rasteja e do qual espera aceitação.
Fazer esta mudança não é fácil para todo mundo, mas é algo que vale a pena. Sua Voz Autêntica recebeu uma vida – e é seu trabalho se certificar que ela tenha a oportunidade de vivê-la.
Artigo publicado originalmente Wait But Why.

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2 Comentários


  1. nossa! incrível Renata! tudo explicado e esclarecido nos mínimos detalhes! obrigada pelo seu trabalho! ter esse conhecimento nos traz a certeza que estamos no caminho certo.
    Um beijo pra você.

    Responder

    1. Oi Elaine!
      Tudo explicadinho né?
      Obrigada você, por acompanhar meu trabalho 🙂 Faço tudo com muito carinho e fico feliz que esteja gostando.
      Beijos!

      Responder

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