Os Desafios de Ser Multipotencial e Mulher

Tempo de leitura: 6 minutos

Já é um desafio para quem se identifica como multipotencial saber lidar com seus diversos interesses. Imagine ainda sentir a pressão social dizendo que você tem que dar conta de tudo? Essa é realidade das mulheres multipotenciais.

Na lista das “obrigações” podemos encontrar itens como ser uma excelente profissional, boa filha, amiga presente, a melhor companheira, mãe dedicada, cuidar da casa, da alimentação, da roupa, das férias… e por aí vai. Nessa maratona, dar atenção a si mesma e aos seus sonhos corre o risco de não estar nesse check list. Mas não precisa ser assim.

Investir tempo no que realmente importa pra você é um caminho para expressar sua multipotencialidade sem se preocupar com os padrões, que já há algum tempo, estão mudando.

Feminismo e Masculinidade hoje

Motivados pelo movimento feminista que visa a equidade de gênero (e não a sobreposição de um gênero sobre outro, como o machismo), os homens também estão revendo seus papéis no mundo.

Desde a entrada da mulher no mercado de trabalho, os homens – antes vistos como provedores que deviam seguir uma única profissão na vida a fim de sustentar a família -, também passaram a ter maior liberdade para testar áreas e atividades diferentes, já que não são mais os únicos responsáveis pela renda familiar.

Ao mesmo tempo, cuidar da casa e dos filhos deve ser algo compartilhado, não sobrecarregando nenhum dos pais e permitindo que ambos possam se desenvolver em suas carreiras e projetos. Afinal, como diria a escritora gaúcha Martha Medeiros, “a liberdade de qual eu falo é a de ser o que ainda não tentamos”.

Para expandir o conhecimento sobre o assunto, o site Papo de Homem oferece uma série de artigos sobre Feminismo. Como o incrível “Como se sente uma mulher”, de Claudia Regina, trazendo reflexões sobre tudo que ainda enfrentamos, até o documentário “O Silêncio dos Homens”, que através de dados de uma pesquisa aponta como o machismo não faz bem pra ninguém.

A vergonha de não dar conta de tudo

No livro “A coragem de ser imperfeito”, Brené Brown, pesquisadora sobre vulnerabilidade, pediu a algumas mulheres que compartilhassem suas definições ou experiências de vergonha. Uma delas disse:

“Embora todo mundo saiba que não há como dar conta de tudo, todos ainda esperam que seja feito. Vergonha é quando você não vai conseguir e tenta fazer parecer que está tudo sob controle.”

Quando eu li isso pela primeira vez logo pensei que isso resume bem o que sentimos como mulheres multipotenciais. Acostumadas a dar um jeito para tudo, a pesquisar e estudar novos assuntos, a combinar interesses, e ainda estar atenta a todos à nossa volta, estamos sujeitas às expectativas dos outros de que vamos sempre dar conta, que não precisamos de ajuda nem apoio. Longe disso.

Tudo bem querer fazer o melhor, mas apenas não se cobre tanto quando algo der errado. Dê a você a compreensão que oferece aos outros.

Síndrome da impostora

A síndrome da impostora é quando uma mulher se acha menos capaz de realizar alguma tarefa que seus colegas. Isso também acontece com homens devido a questões como ansiedade, insegurança e baixa autoestima. Porém, com a mulher tem o fator adicional de como ela é percebida em ambientes ou atividades tradicionalmente masculinos, e também em posições de liderança.

Podemos identificar os sintomas agindo de forma silenciosa.

Sabe aquela voz interior que às vezes aparece dizendo que você não é boa o bastante? Que te julga pior que os outros? Não dê ouvidos a ela. Antes de acreditar que é uma autocrítica, reflita se já a ouviu de outras bocas, em alguma situação onde foi exposta à comparação, ridicularização ou vergonha.

Em alguns casos, a memória volta à infância, em um dia difícil na escola ou em casa, onde não tínhamos maturidade emocional para nos defender ou lidar com a situação. Sem esse conhecimento, levamos essas frases para a vida adulta como crenças limitantes e acreditamos como verdade.

Quando a situação se repete, mesmo que de outra forma, a tendência é vir à tona aqueles mesmos sentimentos – e a sensação de não saber lidar com eles. Nesse sentido, compartilhar o que sentimos com pessoas próximas pode ser uma boa alternativa para aliviar a tensão e recordar o que é importante de verdade.

Sororidade: Mulheres que se apoiam

Um dia desses uma colega de trabalho comentou com um professor que eu havia escrito um texto sobre a aula dele. Como ele não sabia, percebi o gesto como uma gentileza.

Depois que ele foi embora comentamos sobre o assunto e ela me disse: “Isso foi sororidade Tha, procure saber o que é”. Imediatamente fui pesquisar, e me deparei com este significado bonito que representa a união das mulheres. Atitudes como não julgar outras mulheres, fazer elogios sinceros, incentivar seus projetos fazem parte da sororidade e cada uma de nós pode ajudar a levar essa ideia adiante.

De um desses questionamentos surgiu a “Amiga de uma Amiga”, uma ideia simples de conectar mulheres que tem uma amiga em comum. A Silvia fez faculdade de Publicidade comigo, que trabalhei com a Déa que sugeriu os encontros, que cresceu com a Renata, criadora do Multipotenciais do Brasil, que conhece a Iza… e esperamos que a lista não tenha fim.

A cada encontro compartilhamos comida, bebida, experiências, impressões, sonhos e conselhos. E a cada dia é mais inspirador e divertido.

Vale refletir: de que forma você também poderia incentivar outras mulheres?

 

Aqui no blog já falamos sobre algumas mulheres multipotenciais e o que podemos aprender com elas, como neste conteúdo sobre a Anitta. Mas é sempre bom lembrar de exemplos muito próximos como nossas avós, mães, irmãs, amigas, professoras, líderes.

Como o exemplo delas influencia na mulher que você se tornou? Em que mulheres você se inspira?

 

Mais conteúdos sobre mulheres multipotenciais para se inspirar:

Imagem: Gabriela Braga | Unsplash

2 Comentários

  1. Avatar

    Não concordo com a parte do feminismo, ele não é somente um movimento por equidade como diz na teoria. Na realidade está cheio de ódio e incoerência.

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    1. Thaís Gurgel

      Oi Marcos! Tudo bem ?
      Entendo seu ponto, e este comentário me fez lembrar de um discurso que a Emma Watson realizou na ONU em 2014 no lançamento da campanha #HeForShe.
      Ela comenta que a palavra Feminismo se tornou impopular, por algumas pessoas verem a opinião de feministas como “muito forte, agressiva, ou mesmo contra homens”. Ela explica que mais do que uma palavra, o mais importante é a simbologia que a envolve, que busca as mesmas oportunidades para homens e mulheres.
      Eu também acredito nisso e foi nesse sentido que procurei escrever o texto. Retratando os desafios de ser multipotencial e mulher nos dias de hoje, e também buscando caminhos para mudar este cenário.
      Agradeço por ler o texto e comentar aqui.
      Abraços!

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