Uni-duni-tê. Que Tipo de Profissional É Você: T- Shaped, Y ou Multipotencial?

Tempo de leitura: 5 minutos

Já cantava Lulu Santos: “tudo muda o tempo todo no mundo”. Inclusive no mercado de trabalho e nos perfis dos profissionais que atuam nos mais diversos setores.

Já houve o tempo em que os profissionais especialistas imperavam. É claro que esses profissionais não sumiram. Eles ainda são parte importante da força de uma empresa.

No entanto, as mudanças no nosso modo de vida exigiram que as empresas se adaptassem às novas relações e às expectativas dos colaboradores e do mercado, nascendo, assim, outros perfis profissionais. Afinal, se tudo muda o tempo todo, o profissional de hoje tem que ter a capacidade de se adaptar e interagir com diferentes segmentos.

Destacamos aqui três desses outros tipos de profissionais: T-shaped, Y e Multipotencial. Em comum, a multidisciplinaridade como prova da versatilidade profissional desejada no mercado.

Será que você se identifica com algum deles?

Profissional T-Shaped: Base Especialista, Alcance Generalista

O profissional T-shaped é especialista e generalista ao mesmo tempo dentro de uma área. Ele consegue enxergar as particularidades de um problema com seu conhecimento técnico e, também, consegue contribuir com uma visão ampla do negócio.

A base vertical do T representa a área especialista, o que ele domina. Já a parte horizontal representa sua porção generalista, vertentes de conhecimentos correlacionados com sua área de especialização.

Graças ao aspecto multidisciplinar construído em cima do pilar de uma especialização, sua capacidade de pensar de formas diferentes e de interagir com diferentes áreas da empresa o torna muito valorizado no mercado.

Paulo Sérgio de Souza Corrêa afirma em artigo no Blog Keep Talent que as empresas estão procurando o profissional T-shaped por causa da necessidade de integração das equipes e de soluções multidisciplinares para uma empresa atingir sucesso.

As empresas atuais tendem a não mais segregar áreas e entendem que um setor depende do outro. Ou seja, cada macaco não está mais no seu próprio galho, mas, todos estão na mesma árvore.

Profissional Y: Especialidade em Foco

O profissional Y nada tem a ver com a geração Y. O Y aqui refere-se ao modelo de carreira escolhido pelo profissional. O profissional faz um caminho linear até atingir o ponto da bifurcação: assumir um cargo de gestão ou ser especialista de uma área estritamente técnica.

Esse modelo foi criado para reter os especialistas que não têm a menor intenção de se tornarem gestores, mas que, para continuar motivados na empresa, exigem o reconhecimento da mesma forma, inclusive financeira.

Uma empresa, para crescer, precisa dos dois lados: profissionais especialistas e os generalistas. No entanto, mesmo os que optam por serem especialistas foram afetados com as novas exigências do mercado.

Em entrevista, Thiago Rodrigues e Cristiane Farias alertam que, mesmo sendo especialistas, ainda assim precisam desempenhar algumas funções mais generalistas, o que exige deles uma dose de multidisciplinaridade.

Como as exigências do momento fazem com que até mesmo os especialistas exerçam outras funções, uma versão híbrida deste modelo já está até ganhando forma: W. Assim, o especialista pode assumir a liderança em determinados projetos, o que irá demandar uma diversidade de conhecimentos para além de sua área.

De fato, são raros os casos em que o profissional opta na bifurcação pela especialização e segue reto. Somente nas áreas de tecnologia, saúde e desenvolvimento, ainda encontramos especialistas “puros”. Na maioria das vezes, o profissional Y acaba tendo que fazer algumas paradas na multidisciplinaridade para continuar sua viagem.

Profissional Multipotencial: A Pluralidade do Fazer

A multipotencialidade ainda é pouco discutida no Brasil e, por isso, ainda levanta muito sobrancelha de quem escuta que uma pessoa tem ou teve mais de uma área de atuação profissional.

Renata Lapetina, no artigo 13 sinais de aviso que você é multipotencial, afirma que ser multipotencial é ser oposto de um especialista. De modo resumido, um multipotencial é aquele que possui muitos interesses e que consegue integrar essas experiências diferentes aos novos desafios.

Por acumular experiências diversas, esse profissional consegue estabelecer relação com diversas áreas. Além disso, por se aventurar em diferentes mares, ele não se intimida com recomeços, se adapta com facilidade e possui uma enorme facilidade para aprender.

Mas nem tudo são flores! Ser multi e trilhar um caminho profissional cheio de curvas pode ser bastante assustador. De certa forma, é ir contra o que aprendemos na escola e escutamos da sociedade. Afinal, o “certo” é apostar numa carreira e seguir em frente, não é? Assumir a multipotencialidade exige uma boa dose de coragem e, para incentivar os multi-tímidos por aí, recomendo um passeio aqui pelo blog para encontrar exemplos de multipotenciais bem-sucedidos para se inspirar.

Também vale ressaltar que esta trajetória profissional mais dinâmica e multidisciplinar já vem sendo considerada por alguns como a melhor opção para o mercado de trabalho, onde as áreas e funções já não são mais tão bem delimitadas. Ser flexível e autodidata são características dos multis bastante valorizadas no momento.

Cada Um Seu Quadrado ou Quadrilha de Festa Junina?

Como falei no início do texto, em comum nesses três tipos de profissionais está a multidisciplinaridade. Cada tipo de profissional descrito neste artigo aborda a característica de uma maneira.

A interseção entre áreas e a visão ampla do negócio são fundamentais para a sobrevivência das empresas em tempos modernos. Vivemos num mundo “tão veloz e furioso” que muitos cargos sequer existirão da mesma forma daqui a algum tempo. Portanto, profissionais versáteis e que se adaptam a diversas áreas são interessantes no mercado.

A capacidade criativa e de inovação dependem de pessoas curiosas e corajosas, que abrem novos caminhos e possibilidades. Os profissionais T-shaped, multipotenciais e profissionais Y são assim. Não seguiram a linha reta e tradicional e preferiram formas geométricas, curvas e letras.

Calma! Como vimos, especialistas são e sempre serão necessários. Porém, é inegável que o ritmo mudou. Antes, cada um ficava no seu quadrado. Agora, as empresas incentivam e precisam que cada área dance com outra, como numa dança de quadrilha de Festa Junina, que você entrelaça seu braço em um, segue andando e pega o braço do outro… Rapidamente e no mesmo passo.

 

8 Comentários

  1. Thaís Gurgel

    Muito bacana o texto ! Realmente tudo está mudando muito rápido e é necessária essa reflexão para cada um (pessoas e empresas) conhecer mais seu próprio estilo de trabalho e como se sente mais à vontade para se expressar no mundo.

    Responder
    1. Paula Carreirão

      Oi, Thaís!

      Que bom que gostou! De fato, uma boa dose de autoconhecimento é necessária para se achar nesse mundo tão volátil. Muito obrigada pelo feedback.
      Abraço!

      Responder
  2. Avatar

    Muito interessante! Agora eu sei qual o meu perfil. Nenhum teste de vocação profissional foi tão preciso! Um abraço.

    Responder
    1. Avatar

      Que bom, Glenda!! Às vezes, tudo que precisamos é gerar um pouco de clareza sobre quem somos para poder seguir em frente, né?
      Obrigada por nos acompanhar 🙂
      Abraços.

      Responder
  3. Avatar

    Muito realista este texto. Posso dizer que me reconheço como um multipotencial, que já foi um especialista, que precisou aprender a ser um generalista, e consequentemente um multipotencial por necessidade da minha evolução. Concordo plenamente com o texto, inclusive com a parte onde relata que o assunto é pouco discutido no Brasil. Adiciono que algumas empresas ou recrutadores, ainda olham para estes profissionais como se estivessem sem foco, mas a realidade é que a maioria deles são provavelmente uma evolução natural, baseada em uma necessidade crescente neste mundo que muda todos os dias. Parabéns Paula Carreirão.

    Um abraço

    Responder
    1. Paula Carreirão

      Oi, Filipi, tudo bem?
      Desculpe a demora em respondê-lo. Fiquei muito feliz de ler que você gostou e se identificou com o texto!

      De fato, o multipotencial sofre um pouco mais nos processos seletivos, já que os recrutadores ainda não entendem muito bem esse perfil. Para mim, ser multipotencial num mundo dinâmico deveria ser vantagem e, não, desvantagem.

      Também concordo que muitos se tornam multipotenciais por necessidade do mercado de trabalho. No entanto, acredito que, se a pessoa não tiver uma base de perfil multi, ela dificilmente conseguirá ser um multipotencial bem sucedido e por longo tempo.

      Abraço!

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *