Entrevista com Rafaela Cappai: Seja Um Canivete Suíço!

Tempo de leitura: 11 minutos

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A Rafaela Cappai é criativa, empreendedora e multipotencial, sim senhor!

Atriz, bailarina, comunicadora e criadora da Espaçonave, ajuda empreendedores criativos a criarem negócios sustentáveis, para que não tenham que abandonar o que amam fazer porque não dá dinheiro.

Ela já trabalhou com muita coisa antes de finalmente criar uma empresa e um trabalho onde usa suas multi paixões, habilidades e talentos. Sorte a nossa!

Seu TEDx Talk sobre ser um canivete suíço, metáfora maravilhosa que usa para explicar a multipotencialidade, é um dos meus favoritos. E é por isso tudo que ela veio conversar com a gente!

Se você ainda não conhece a Rafa, já tá mais que na hora de conhecer! E se já conhece, vem ver o que ela falou sobre multipotencialidade e sobre sua história, especialmente para nós!

Você pode ouvir o áudio ou conferir a transcrição 🙂

Renata Lapetina: Você poderia nos contar um pouquinho sobre seu trabalho e como sua multipotencialidade está ligada a ele?

Rafaela Cappai: Na verdade, eu acho que o meu trabalho foi moldado em cima da minha multipotencialidade. Mais do que um trabalho que dá espaço pra multipotencialidade, eu fui criando ele mesmo, usando as ferramentas, as habilidades e o que eu tenho, o que eu tinha. Foi um processo intuitivo, mas ao mesmo tempo bastante pensado. Em algum ponto até estratégico mesmo. E aí, hoje em dia, eu uso muitas delas. Eu uso a escrita, eu uso o meu trabalho como atriz pra falar, eu uso vídeo, que é alguma coisa que eu já faço desde muito tempo. Eu uso o meu trabalho como professora, minha potencialidade como professora, eu já dei aula de outras coisas e hoje em dia eu dou aula dentro desse universo. Então, meu trabalho foi se moldando em cima disso. O que eu quero fazer, o que eu sei fazer, o que eu gosto de fazer, ok. Como é que eu emendo tudo isso de um jeito que eu possa continuar fazendo e ao mesmo tempo criando valor pras pessoas e sendo sustentável? Então, ele nasceu a partir dessas multi potências ou multi talentos ou multi habilidades.

RL: Quando você percebeu que era multipotencial?

RC: Cara, eu descobri bem cedo. Porque existia essa angústia né, de ter que escolher e de não saber escolher. E eu lembro que uma das primeiras vezes que eu vi que isso era possível, eu falei: pera aí! Eu lembro que eu olhava o trabalho de alguns atores, atrizes e eu falava: nossa esse cara, sei lá, Miguel Falabella, esse cara escreve, esse cara dirige, esse cara atua, ele produz, porque ele também cria os próprios trabalhos, olha eu acho que é possível fazer isso! Então, num primeiro momento, eu observei as pessoas nesse universo artístico mesmo e vi que elas usavam a multipotencialidade como linguagem. Então elas não ficavam presas a uma linguagem só. Eram artistas e se expressavam em linguagens diferentes, usando potencialidades diferentes.

Então foi desde muito cedo, sei lá, acho que antes dos meus 20 anos, comecei a perceber. Eu ainda não via como fazer isso, mas aí num primeiro momento eu também fui pra esse mesmo caminho, produzindo teatro, atuando, às vezes escrevendo, fazendo várias coisas. E aí a minha primeira incursão como empreendedora foi uma empresa em Belo Horizonte, que ainda existe, chamada “Aff! Comunicação e Cultura”. E na Aff!, a gente atrelou à Aff! um coletivo de artistas que chamava “O Coletivo” e já nesse coletivo a premissa é que os participantes não ficariam presos a uma função só. Então a gente começou a produzir, no primeiro espetáculo eu fazia direção de produção e tava em cena e aí tinha minha sócia que produziu esse espetáculo. E a ideia é que a gente pudesse revezar em várias funções. Que eu em algum momento pudesse criar figurino, que eu pudesse pensar na luz ou que eu pudesse dirigir. E aí foi essa minha primeira incursão nesse universo da multipotencialidade, foi o que me trouxe a experimentar isso. A gente ficou juntos com esse coletivo durante 3 anos, hoje em dia ele continua existindo, eu saí do grupo, mas ali foi o primeiro momento em que eu pude experimentar na prática essa possibilidade.

RL: Quantos trabalhos e profissões já teve? Você já estudou muitos assuntos?

RC: Nossa, quantos trabalhos e profissões eu já tive, eu não sei nem se eu consigo contar, mas eu consigo listar alguns pra você. Eu tive desde trabalhos que eram mais informais e que eu optava por fazer por alguma função específica, por algum motivo específico. São trabalhos, por exemplo, já entreguei panfleto em sinal, já trabalhei como housekeeper nos Estados Unidos, limpando casa, já trabalhei também como prep cook, uma preparadora de alimentos na cozinha pra uma pousada, nos Estados Unidos também, na Califórnia. Já fiz… Já fui caixa de bazar, em Belo Horizonte, essas coisas eu não fazia durante muito tempo. Uma oportunidade pintava e eu optava e fazia aquilo, como bicos mesmo né, um trabalho mais como freela.

E aí, com profissões que eu realmente me identifico mais, eu já fui bailarina, com a carteira assinada mesmo como bailarina, atriz, assessora de imprensa, repórter, apresentadora de TV. Deixa eu pensar… Escritora, hoje em dia, professora, já dei aula de dança. Mestre de cerimônias de eventos, produtora de eventos, já fiz trabalho como, deixa eu tentar lembrar… coreógrafa.

Vendedora de loja de celular, também. Porque lembrei que quando meu pai teve uma loja de celular, bem no início do universo do celular aqui no Brasil, ele tinha uma autorizada da Vivo, duas autorizadas da Vivo. E, no primeiro momento, eu distribuía panfleto, mas também já vendi celular pra ele, já trabalhei na loja mesmo.

Como maquiadora, lembrei aqui. Enfim, talvez tenha essas duas funções, coisas que pintavam e eu aproveitava a oportunidade e fazia, independentemente se aquilo ia virar minha profissão ou não. Eu experimentei algumas coisas porque pintava e eu precisava de grana e fazia, ou porque eu queria comprar alguma coisa específica. Por exemplo, as vezes que eu fiquei na Califórnia com a minha irmã, que eu morei um tempinho por lá, eu aproveitava pra trabalhar, pra fazer uma graninha e voltar com um computador ou pra viajar, então funciona desse jeito. Ou profissões mesmo que eu tive por um tempo mais longo e que eu realmente exercitei. Então tem essas duas categorias, mas é bastante coisa.

Se eu já estudei muito assuntos? Estudo, mas eu não estudo a fundo os assuntos né, são poucos assuntos que eu estudo a fundo. Então eu tenho uma curiosidade, isso é bastante característico do multipotencial, ele vê vários ângulos de uma mesma questão, ele estuda, ele vai a fundo, um pouquinho fundo, ele não vira especialista naquilo. Mas em algum momento ele já descobre uma nova paixão, começa a estudar de novo aquele assunto. Então, eu estudo vários assuntos. Hoje em dia, muitos deles direcionados com o meu trabalho na Espaçonave, mas eu tô o tempo todo estudando. Então, sim, acho que a resposta é sim. Estudo vários assuntos e leio sobre coisas diferentes e me interesso sobre coisas diferentes. Sei lá, tava vendo um documentário agora sobre a viagem de uma sonda a Plutão, sabe, então, são coisas que a princípio não fazem muito sentido pra quem tem uma mente um pouco mais vertical, mas pra mim é muito legal ver coisas que não têm necessariamente a ver com a minha realidade.

 

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RL: Qual é (ou foi) sua maior dificuldade sendo multipotencial e como você a superou?

RC: A maior dificuldade, eu acho, minha como multipotencial e que eu vejo também muitas pessoas é realmente fazer dar certo né. Como é que você coloca isso como uma coisa positiva? Como é que você enxerga a multipotencialidade como uma coisa positiva e não como um fardo ou algo negativo? Como é que você cria algum trabalho ou se organiza, se planeja, pra ter um trabalho que te permita viver uma vida como multipotencial, minimamente?

Eu não estudo tudo que eu gostaria, eu não testo tudo que eu poderia, eu não experimento tudo que eu poderia porque a nossa mente acaba querendo muito mais do que a gente tem tempo pra fazer. Mas, de fato, eu acho que a maior dificuldade é fazer isso. Como é que, sabendo que a nossa mente vai se interessar por outros assuntos, sabendo que a gente vai querer experimentar outras coisas, como é que a gente cria um trabalho, organiza um trabalho, que caiba isso e que isso seja um ponto positivo no trabalho. Vou te dar o exemplo da própria Espaçonave, eu continuar estudando sobre coisas relacionadas ao universo que eu ensino na Espaçonave, só faz bem pra Espaçonave. Mas se eu, por exemplo, fosse uma especialista e tivesse um trabalho formal, como CLT, talvez isso não fosse agregar tanto.

Então eu acho que a maior dificuldade é fazer isso. Como fazer dar certo? Como achar um trabalho, como criar um trabalho que permita que a gente tenha uma mente multipotencial e continue estimulando essa mente multipotencial. É claro que você pode ter o multipotencial por séries assim, serial né, o cara que se dedica a um trabalho durante 2, 3, 4 anos e aí depois troca completamente pra um outro, depois ele vai pra um outro. Naquele período ele tá se dedicando àquilo, mas em um segundo momento ele já vai pesquisar uma outra coisa que não tem na a ver. Ou você pode fazer como eu, criar um trabalho que vai caminhar comigo por muito tempo ainda enquanto eu continuar pesquisando as coisas. Tem essas duas possibilidades e as duas são válidas. Mas como a questão da sustentabilidade pra mim era muito importante, tentar ver como é que meu trabalho podia ser sustentável sendo multipotencial, fez mais sentido continuar com uma coisa só que é o caso da Espaçonave hoje, dentro dela tentar inserir toda a multipotencialidade.

RL: Que conselho você daria para uma pessoa que acabou de se descobrir multipotencial?

RC: Um conselho que eu daria para quem acabou de se descobrir multipotencial é experimentar, é não ter medo de experimentar. Num primeiro momento o experimentar não precisa ele ser rentável, ele ser remunerado, ele ser sustentável. Você precisa experimentar o máximo de coisas possíveis pra ver de tudo isso que você quer, qual dessas coisas podem ser incluídas e agregadas no seu trabalho, se esse for o caso. Porque a gente não falou de uma terceira possibilidade do multipotencial que é ter um trabalho fixo, que não seja multipotencial e, nas suas horas de hobbie, nas horas vagas se dedicar àquilo, que é uma possibilidade também. Não era interessante pra mim, não era o que eu queria, mas é uma possibilidade. Então, num primeiro momento, eu acho que é experimentar, é tentar ver como é que você consegue encaixar todas essas coisas no seu dia a dia, pra ver de todas elas, quais têm um peso maior. Depois que você encontra esse peso maior, tentar amarrá-las de um jeito que faça sentido, não só pra você, mas que faça sentido pro mundo também.

RL: Se pudesse, magicamente, deixar de ser multipotencial, você abriria mão de seus multi talentos e paixões para viver uma vida de especialista?

RC: Não, não, eu não consigo enxergar o meu mundo se ele não fosse multipotencial, eu não abriria mão nunca. Eu não abriria mão nunca dessa questão, esse é meu superpoder! Mesmo que ele tenha a kriptonita dele, eu não abandonaria isso de jeito algum. Pra mim só faz sentido se for assim.

 

ONDE VOCÊ PODE ENCONTRAR A RAFAELA?

No site da Espaçonave ou no seu canal no Youtube.

 

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2 Comentários


  1. Muito bom!! Adoro o projeto dela, sonho conseguir conciliar tudo né. Imagina um projeto/empresa colaborativa com todos multi?

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    1. Oi Barbara!
      Ela é demais né?
      Imagina? Acho que seria maravilhoso e um caos ao mesmo tempo! Rsrs
      Obrigada pela visita ao blog. Abraço!

      Responder

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