Você Busca Um Trabalho Para Amar?

Tempo de leitura: 6 minutos

Trabalhar com o que se ama é um desafio que muitas pessoas enfrentam.

Para saber mais desse assunto, estive no lançamento do livro “Um Trabalho para Amar”, da TSOL Press, na “The School of Life” em São Paulo.

O encontro promoveu um bate papo entre a diretora de Aprendizagem, Mônica Barroso e a jornalista Michele Dufour, acompanhado de um café da manhã.

Um convite para iniciar o dia refletindo sobre o que importa.

Os principais pontos dessa conversa você encontra neste artigo.

Trabalhar com o que se ama
Fonte: Unsplash

 

De Onde Surgiu a Necessidade de Ter um Trabalho Para Amar?

Nos dias de hoje é comum falarmos disso, mas nem sempre foi assim. Antigamente havia poucas profissões e geralmente o ofício era ensinado de pai para filho, gerando uma família de sapateiros, alfaiates ou médicos, por exemplo.

A partir da Revolução Industrial o trabalho se separou do homem, que passou a fazer parte de uma grande engrenagem onde não importava se conhecia o todo. Bastava exercer sua função na fábrica, contribuindo para a produção em larga escala. Dessa forma, a vida profissional teria um script pronto: escolher uma profissão, ganhar dinheiro, se aposentar, e aí sim (talvez), fazer o que gosta.

Será?

Não se passou muito tempo para questionarmos esse modelo. Estresse, sensação de falta de tempo, depressão e outras doenças, se tornaram sintomas de algo que não está funcionando muito bem.

Nesse contexto, a busca de um trabalho para amar, de ter um propósito, de colocar nossos talentos e habilidades em prática, se tornou um caminho possível a partir da autorreflexão. Vivemos agora uma redescoberta, a fim de aliar trabalho, dinheiro e realização.

Mas por onde começar?

 

Cuidado com Fórmulas Mágicas: o Grande Mito da Vocação

Acreditar que todo mundo tem um dom e que, um dia, num passe de mágica, vamos acordar e perceber que é aquilo que nascemos para fazer pode ser arriscado. Para algumas pessoas pode ter funcionado, mas a maioria de nós continua na busca.

Um caminho mais viável seria construir através de um esforço diário nosso próprio caminho, observando tarefas que gostamos de realizar, estudando temas de nosso interesse, testando novas atividades e ferramentas que poderiam ser usadas no trabalho. Num constante processo de autoconhecimento.

 

Testes Vocacionais Funcionam?

Jovens que enfrentam o desafio de escolher um curso numa universidade, são apresentados aos testes vocacionais como uma alternativa para descobrir o que estariam aptos a fazer. A partir de uma série de perguntas de um formulário, que indica algumas profissões que se adequariam ao seu perfil.

Entretanto, já se fala que as profissões do futuro ainda não existem hoje. Um perfil interessante no Instagram que trata sobre isso é o @ofuturodascoisas.

Então como saber o que trabalhar no futuro se a maioria das profissões ainda nem existe?

 

O Poder de Múltiplos Interesses

Em um tempo no qual a profissão era passada a cada geração, se especializar em um tema seria fundamental para garantir uma carreira. Mas em um mundo que cada vez mais exige novas habilidades para lidar com desafios, a multipotencialidade se torna ela mesma uma nova competência.

Ter interesses em diversos assuntos proporciona uma série de combinações possíveis e amplia nosso olhar, afinal, não somos uma coisa só.

Vale lembrar que o ponto de partida para trabalhar com o que ama começa dentro de si mesmo. Saber o que você gosta de fazer, o que já tem facilidade e atividades que te motivam são chaves que abrem portas para novas oportunidades das quais nem você imaginava, dentro e fora do seu trabalho atual. Selecionamos aqui 21 ideias para desenvolver a multipotencialidade e entrar em ação!

ação para trabalhar com o que ama
Fonte: Unsplash

As Influências Que Recebemos Importam

Outra coisa que pode ajudar no presente é compreender o passado.

A influência do ambiente familiar (expectativas, crenças, profissões de pessoas próximas) pode ser maior do que você imagina. Já parou para pensar que talvez algo que acredite venha da crença de outra pessoa?

Não apenas de pais e familiares, mas de professores, vizinhos e outras pessoas próximas. Compreender o quanto dessa voz interior é sua ou do outro é importante para manter o que é bom, e deixar ir o que não serve mais.

Da próxima vez que estiver num desafio profissional e ouvir uma voz interior te orientando para algum caminho, pare e reflita: essa voz é minha ou de outra pessoa? Consciente do dono dessa voz, você terá mais chances de fazer escolhas realmente autorais.

 

“Nossa Infância é um Armazém de Insights

A frase acima foi dita pela Mônica, que sugeriu um exercício interessante para encontrar coisas que você gosta de fazer e que podem dar mais sentido ao trabalho:

  • Lembre-se das suas brincadeiras preferidas quando criança.
  • Qual delas você gostava mais?
  • Consegue perceber o que exatamente nessa brincadeira você apreciava?
  • Agora pense como você pode traduzir essa atividade em coisas possíveis de se fazer no trabalho.

Por exemplo, eu adorava brincar de boneca. Observando bem, o que eu mais gostava era tirar os brinquedos da caixa, montar a casinha e todos os seus detalhes, e quando finalmente brincava com a boneca dentro da casinha, logo perdia o interesse.

Percebi que isso tem muito a ver com organização e há muitas maneiras de usar essa habilidade no meu trabalho. Como, por exemplo, organizando processos, arquivos, propostas e etc.

E você, o que gosta de fazer e tem facilidade desde criança?

 

Revolução x Evolução

Quando falamos de trabalhar com o que se ama, talvez você já tenha um projeto guardado na gaveta. Mas antes de pedir demissão do seu emprego e seguir esse novo caminho, que tal criar alternativas para experimentar a nova ideia?

Ao invés de mudanças radicais, faça pequenos movimentos constantes. Você pode fazer um voluntariado, se inscrever num curso presencial ou online sobre o assunto, pesquisar livros e sites, conversar com pessoas diferentes. Enfim, tudo que possa aproximar você dos seus interesses. Dessa forma, estará mais preparado e confiante para dar o próximo passo.

 

Suficientemente Bom

A busca de um trabalho para amar também percorre o território da nossa expectativa.

O encontro estimulou a reflexão de que não precisamos ter tudo, mas precisamos ter o que somos capazes de fazer. Podemos encontrar uma atividade que reúna várias de nossas habilidades e paixões, mas provavelmente algumas coisas vão ficar de fora – e tudo bem.

Podemos manifestar esses outros interesses em outras áreas através de hobbies e projetos, por exemplo. Afinal, a vida é muito curta para fazer tudo o que gostamos o tempo inteiro.

 

Para saber mais sobre o livro “Um Trabalho para Amar”, da The School of Life, clique aqui.

Precisa de ajuda na sua busca por um trabalho para amar? Conheça o processo de autoconhecimento e planejamento voltado para carreira: Multipotencialize-se.

O que você achou desse texto? Conta pra gente aqui nos comentários.

 

Se gostou desse conteúdo e quer saber quando novos artigos forem publicados, inscreva-se na nossa Newsletter! 🙂

6 Comentários

  1. Avatar

    Oi! Sou uma multipotencial de 54 anos e sempre me senti diferente e fracassada porque nunca me achei de verdade profissionalmente. Fui criada para ter um emprego para a vida a toda, mas nunca me conformei com isso. Só há poucos anos descobri que sou multipotencial e nesta fase de vida meu sonho é juntar minhas paixões numa segunda carreira, mas tem sido um desafio decidir o caminho.
    Obrigada pelo artigo!

    Responder
    1. Avatar

      Oi Patricia!
      Que legal que está por aqui e que gostou do artigo 🙂
      Duas coisas nas quais acredito:
      1 – Não é o trabalho que define nosso suposto sucesso ou fracasso.
      2 – Nunca é tarde para começar algo novo.
      Boa sorte com esse seu desafio! Se precisar de uma ajudinha, estamos por aqui.

      Responder
    2. Thaís Gurgel

      Obrigada você por compartilhar um pouco da sua história com a gente Patricia!
      Realmente é um desafio decidir um caminho. Como comentamos no artigo, uma sugestão seria realizar alguns experimentos para testar a ideia e ver como você se sente quando coloca em prática. Pode ser uma boa forma de aprendizado.
      Abraços !

      Responder
  2. Avatar

    Descobrir que sou multipotencial foi um divisor de águas para mim. Eu sempre achei que era errado ter tantos interesses em diferentes áreas. Fui criada para ser Servidora Pública. Hoje sou e me sentia muito mal por não gostar disso, porque, onde eu moro, esse é o sonho de qualquer pessoa. Obrigada por esse artigo e por todos os outros, tem feito toda diferença. Abraços!

    Responder
    1. Avatar

      Que maravilha ler isso, Luciana!
      Obrigada por compartilhar 🙂

      Responder
    2. Thaís Gurgel

      Luciana, acredito que ter se reconhecido como multipotencial pode te ajudar cada dia mais a valorizar a força que existe em você. Obrigada pela sua mensagem!

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *